futebol e novas tecnologias

nos últimos tempos tenho lido, visto e ouvido muita gente a reclamar, quase que possuídos chegando mesmo a promover petições para o efeito, que as novas tecnologias deveriam chegar ao futebol.
confesso que acho uma certa piada a tudo isto porque alguns dos agora mais animados foram os meus maiores críticos quando em 1988 defendi pela primeira vez, num colóquio realizado num clube de bairro em lisboa, a introdução de alterações profundas no futebol.
agora, como então, acredito que com 3 ou 4 alterações o futebol sairia dignificado e até mesmo tonificado.
- em primeiro lugar o 4º árbitro teria acesso a imagens televisivas, com as repetições, onde os lances polémicos seriam revistos podendo por isso mesmo elucidar o árbitro nos lances polémicos.
- em segundo lugar mudaria o tempo de jogo que deixaria de ter 45 minutos para cada lado e passaria a ter dois períodos de 30 minutos, ao cronómetro, com 10 de intervalo. contudo, também se poderia utilizar a regra do basquetebol: 4 períodos de 15 minutos com o intervalo a ocorrer no final do 2º período. o ritmo não seria afectado, muito pelo contrário, e as pausas poderiam ser rentabilizadas pelos clubes introduzindo momentos de interactividade com os adeptos no estádio e concedendo mais tempo para as televisões rentabilizarem os custos.
- em terceiro lugar deixaria de existir limite para as substituições o que traria mais ritmo ao jogo e onde as equipas menos apetrechadas, com a possibilidade de poderem dar descanso aos seus melhores atletas, teriam mais argumentos para defrontar os clubes mais fortes. por outro lado esta medida iria permitir que os jogadores mais velhos pudessem prolongar as suas carreiras levando mais gente aos estádios. simultaneamente esta medida iria permitir que o ritmo do jogo se mantivesse sempre elevado.
três simples medidas que mudariam a face do futebol e que, em portugal, iria permitir que de uma vez por todas acabassem as suspeições aumentando ao mesmo tempo a qualidade do nosso futebol. contudo, estas medidas, tomadas à escala global, iriam também permitir que o fosso entre as equipas mais ricas e as menos apetrechadas ficasse mais pequeno o que, convenhamos, não deve ser do agrado dos poderosos, que lá como cá, gostam pouco de perder...

Comentários

beirão disse…
sr JCS,

a primeira medida concordo plenamente, a segunda é-me indiferente, já a terceira, não posso concordar.

Penso que ao contrario do que diz, essa medida iria prejudicar as equipas peqenas e beneficiar as grandes. Nas equipas grandes, normalmente existe mais do que um bom jogador por posiçao, e assim, da-se possibilidade de substituir um bom jogador por outro bom jogador, so espernado o cansaço do primeiro. nas eqipas peqenas, q normalmente so tem um bom jogador, este nunca poderia ser substituido por outro à sua altura.

por exemplo...num barcelona-rio ave...esta cansado o henry, entra o bojan, cansa-se o etoo entra o gudjonson. no rio ave, cansa-se o coentrao, entra qem?

o exemplo é um bocado drastico, mas isto tudo serve so pra dizer, q uma segunda linha duma eqipa grande, é muito superior a segunda linha duma equipa peqena. e assim, esta terceira medida q defende, a meu ver, só iria abrir mais o fosso entre as eqipas grandes e os peqenos

abraço
Jose Ruah disse…
Teriamos entao o Futsal de 5 e o Futcampo de 11 e com jeitinho uma liga separada para para os mais de 45 anos e assim quem sabe este pé esquerdo pudesse facturar um golito ou mesmo dois.
Cesar disse…
Sou apologista dos jogos de 45 minutos para cada lado.Isso sim,seria desvirtuar o futebol.
Anónimo disse…
Boa tarde frequentadores do café da esquina.

Antes demais, penso que o título é enganador quanto ao conteúdo na prosa, pois quanto à tecnologia, só mesmo o “1º lugar” a ela diz respeito.

Mas comentando e interagindo, na tecnologia, mas não só:

• Defendo que a tecnologia pode e deve avançar mas de uma forma controlada, nesta fase por exemplo com chips na bola para ver se ela saíu ou não do campo e se entrou ou não na baliza, indo um pouco mais longe, colocando chips nos equipamentos e dessa forma identificar os casos de fora de jogo;

• Mais do que isso, mudaria a face do jogo, que deve muito do seu sucesso ao conservadorismo, universalismo e simplicidade, por exemplo a questão colocada de repetições para o 4º ou um 5º árbitro, nada resolveria, pois como sabemos mesmo vendo as repetições, muitas vezes continuamos com dúvidas e sem certezas e, papel interpetativo do árbitro é decisivo e assim deve continuar, procurando no entanto criar uma maior uniformidade de critérios e avaliar de forma justa e independente os seus desempenhos;

• Para os mais atentos, uma questão que se coloca sempre quanto às alterações é a universalidade, i.e., a forma de aplicar as alterações a todos os jogos de futebol e os custos de tal acção;

• A questão de se arranjar uma forma de obter um (real) tempo útil de jogo é interessante, mas não era por aí que se ganharia dinâmica / intensidade de jogo, pois agora são visíveis as diferenças entre vários campeonatos. Talvez uns verdadeiros 40 minutos para cada lado seriam o tempo ajustado mas sem intervalos adicionais;

• Quanto à rentabilização dos adicionais tempos, estamos a falar de quantos jogos televisionados ... seriam significativos para mudar as regras? Enso que não. Acho demasiado ao estilo americano e ... que confesso não aprecio pois essa é uma outra realidade;

• Mais substituições poderiam certamente levar à manutenção de maiores níveis de intensidade de jogo, mas nunca ao nivelamento entre equipas de plantéis de valor diferenciado ... pois aí o impacto até seria bem pelo contrário, i.e., mais se acentuaria a diferença de planteis. Penso que isso é para mim óbvio e assim sendo, penso que as 3 agora permitidas são ajustadas;

• Qunato à idade dos jogadores é também interessante, mas a crescente e necessária intensidade leva a uma limitação para tudo na vida e, já agora assistimos assistmos a diferenças, face a estilos de vida, caracteristicas físicas, adaptações a novas posições em campo ...;

• Acho também um exagero dizer que estas medidas referenciadas, levariam a baixar as suspeições, não entendo a ligação e a correlação entre os temas;

• A TV é também algo relevante, não só a transmissão, mas o facto de ser em canal aberto ou pago, colocando em perigo a universalidade dos grandes espectáculos ... que odem ter grandes custos a médio e longo prazo;

Importante é de facto defender o espectáculo de futebol, defendendo-o como desporto e como actividade profissional. Pois só assim se manterá a sua popularidade e impacto na sociedade.

Ideias a considerar:

• Limitar as jornadas aos sábados e domingos, transmitir apenas 2/3 por semana e fazer das 15:00/16:00 um horário de referência; (basta ver quais os campeonatos com mais adeptos nos estádios, no topo e para espanto de muitos, o alemão ... e ver as regras instaladas ... para terem uma ideia ... esperei um ano para conseguir um bilhete para ir ver o Bayern no Allianz Arena ... num jogo ao sábado a tarde – horário aliás oficial na bundesliga);

• A questão dos estrangeiros permitidos por equipa, sendo que a proposta que agora se discute será um bom caminho para a melhoria da competitividade no futebol, pela minimização de demasiadas super estrelas numa só equipa;

• A limitação de orçamentos para aquisições e/ou folhas salariais, sendo que a boa formação seria uma importante fonte de diferenciação, sendo por exemplo de reparar que face as novas regras que levaram a concentração, o bom exemplo do Ajax deixou de estar com regularidade nas fases decisivas da champions;

• Ao nível nacional, uma total limpeza dos quadros competitivos e regulamentos, havendo lugar para duas ligas profissionais com 14/16 equipas cada mas com rigoroso controlo pelo cumprimento dos compromissos orçamentais. Quanto aos regulamentos, já repararam no tempo que levou à tomada de decisão sobre o Pepe? Aconteceu no início da semana e na 6ª feira tudo estava resolvido, por cá quanto demoraria a história ...;

(cá e na lgislação desportiva, temos a cópia das leis gerais do país, em que o processual e a confusão se sobrepõe ao factual – essencial)

• A consciencialização que só a qualidade de jogo, a intensidade, o espectáculo, ... pode levar pessoas aos estádios e garantir assistências televisivas e ... assim a sustentabilidade do futebol, lembrando-me por exemplo que o futebo espanhol estava de rastos, o estado interveio sem preconceitos, deu algumas regalias fiscais e o fenomeno Ronaldo (como máximo exemplo) fez o resto, algo que foi aproveitado por exemplo pela TVI e pelo nosso amigo deste café, pois por esses tempos, mesmo quem não gostava de futebol acompanhava aquelas transmissões;

• Exigir assim “profissionalismos” aos homens de futebol, pois só assim o seu futuro esará garantido, mas tudo com equidade, equilibro e controlo ... para que não se chegue ao estado actual;

• Nota ainda que o futebol tem de ser visto no seu todo, os três grandes, os outros habitués da europa, as restantes equipas profissionais da 1ª liga, os da 2ª liga, o das restantes divisões até aos distritais, os diversos escalões de formação e ... o desporto escolar onde toda a cultura desportiva deveria começar, a educação será sempre a base de tudo;

Nota ainda meu caro amigo e compadre mais velho, que esta rábula das alterações é uma história muito antiga ... desde os primórdios ... não sendo a questão das regras a raiz dos problemas.

Muito mais haveria a dizer, mas a prosa já vai longa, deixando o obrigado pelo tema ter sido aqui trazido. ...

Quanto às regras base que regem o desporto que tanto gostamos, quem as faz é o “International Board” (Federações Britanicas e representante FIFA), havendo alguma margem para algumas especificidades e testes em algumas provas em escalões menores.

Esta apenas umas opiniões, questionáveis como todas as outras ...

Saudações Desportivas.

FISHER

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