favores em cadeia

recebi um mail de um amigo que está fora do país e me dizia que esta coisa de ajudar os outros, em portugal, é suicídio.
"vives num país", diz ele, "onde é cada um por si e onde causas como a solidariedade ou fraternidade são apenas e só conceitos utópicos que servem de arma de arremesso, quando dá jeito, mas que na prática só alimentam o ego de quem as praticam deixando aos outros as benesses".
mas, pergunto eu, não isso mesmo que é ser solidário e fraterno?
dar, ajudar, deixar um ombro onde alguém possa encostar a cabeça num momento de necessidade sem esperar nada em troca?
quem se disponibiliza a ajudar um amigo, ou um conhecido, fá-lo com a certeza que se um dia precisar haverá também alguém que dirá "estou aqui por ti".
não há lei nem código que regulamente a solidariedade, a amizade ou a fraternidade, apenas a nossa consciência estabelece metas e limites, apenas a nossa capacidade de resistir às criticas, ao vexame ou a maledicência baliza o princípio e o fim das nossas acções.
se cada um de nós der um pouco de si a quem está a seu lado, sem esperar nada de volta, poderá ser afinal que este mundo possa ainda valer a pena.
por muitas jogadas de bastidores, por muitas listas negras ou reputações queimadas resta-nos parar e pensar quem formata essas regras, quem está por trás dessas convenções, quem são as figuras que condicionam as nossas vidas.
na maior parte das vezes são pessoas sem brilhantismo, são gente obscura, sem brilho nem chama que temem a própria sombra, são os tais "porteiros de portas que nunca se abrem", são "as pequenas autoridades" do andy warhol e que apenas sobrevivem no medo dos outros, que apenas se destacam porque a maioria, acanhada e humilhada, é obrigada a viver na "caverna de platão" ou na idade média do obscurantismo imposto por quem exerce o poder, efémero quase sempre, e que assume gestos e modos de grandes pensadores.
se cada um de nós estender a mão ao vizinho do lado, sem receios e de coração aberto, os "torquemadas" que nos dominam não passarão de figuras como o rei que afinal ia nu e que só o olhar puro de uma criança conseguiu descortinar...

Comentários

TERESA SANTOS disse…
Sabes? Tenho um dó imenso por essas pessoas que pensam que "ajudar é suícidio", em Portugal ou em qualquer outro País.
Amigo, é nossa OBRIGAÇÃO ajudar o outro de forma desinteressada.
Como dizes, e muito bem "não há lei nem código que regulamente a solidariedade, a amizade ou a fraternidade, apenas a nossa consciência estabelece metas e limites".
"Vexame", Amigo, por ajudar alguém é mal que nunca me afligiu.
Gente (?!) (serão mesmo gente?) que nunca olha para o lado, nem sequer é obscura: pura e simplesmente, no meio conceito, não os considero como tal.
Abraço.

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